4.5.06

Você se considera intocavel?

Condene-me à morte,
Sou vil, traiçoeira,
Difamo o imaculado.

Condene-me à morte,
Carrego em meu ventre
O fruto podre da corrupção.

Queime-me na fogueira,
A bruxa vendeu sua alma,
Adora e serve a Satã.

Queime-me na fogueira,
Sou Succubus, Incubus,
Anjo caído que te excita.

Torture-me cruelmente,
Ou torturo-te eu,
Ser sádico e masoquista.

Torture-me cruelmente,
Sou amante das artes pagãs,
Senhora suprema dos desejos profanos.

Chame-me de vagabunda,
Vadia e mentirosa,
Jure seu ódio por mim.

Chame-me de vagabunda,
Leve-me ao êxtase,
Ao paraíso de Lúcifer.

Tente sacrificar-me, verme infame!
Sou a noiva de Beuzebu,
Rainha da magia infernal.
Tente sacrificar-me, verme infame!

Oh, não teve coragem?
Entregou-se à minha beleza,
Ajoelhou-se perante o poder
A mim confiado?

Bebeu do amargo mel de minha boca,
Felicitando-se com o prazer
Que ofereci a ti?

Hah! É por isso que agora
Teu sangue banha minha taça,
E desce cálido por minha garganta,
Rejuvenescendo meu corpo imortal!


E assim, danço, satisfeita,
Em seu túmulo recém-descoberto, recém-enterrado,
Canto-lhe um Réquiem Alegretto,
Um contente lamento.

E escrevo com meu sangue-rubi,
Na fértil terra que cobre-lhe da cabeça aos pés:
"Aqui jaz um homem que tentou destruir a besta,
Mas cedeu aos seus encantos, entregando-se a ela,
Morrendo ébrio de prazer, nesta terra virginal".